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POLÍCIA

17/01/2013

|  07:41:17


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Mães que perderam seus filhos recém nascidos acusam médica de Erro e Negligência Médica

Sem dúvida, a perda de um filho é um acontecimento traumático e doloroso para os pais que têm que passar por um processo de luto para superar a dor. Duas famílias, uma de Araranguá e outra de Balneário Arroio do Silva viveram esse drama no ano passado.

No dia 11 de fevereiro de 2012, Cleide Stalter na época com 30 anos saiu de casa, no bairro Baixadinha em Araranguá, por volta das 7 horas da manhã rumo ao Hospital Regional para dar a luz ao tão esperado Filho – Lorenzo Isaque. O garotão nasceu com 4,915KG de parto normal e como era muito grande acabou encaixado e teve que ser tirado a força, o que, segundo a mãe, ocasionou uma lesão no cérebro, faltando inclusive oxigênio. Um dia depois do nascimento foi encaminhado para uma UTI Neonatal na cidade de Lages, onde permaneceu internado até o dia 24, data em que acabou falecendo. Durante os treze dias em que permaneceu vivo, respirou por ajuda de aparelhos, se alimentou por sonda e teve inúmeras convulsões. Os pais Cleide Stalter e Alírio Manoel Silvério afirmam que houve erro médico, e que ao invés de nascer por parto normal a médica deveria ter feito uma cesariana. "Tenho certeza que se aquela médica do hospital tivesse feito uma cesariana, hoje o Lorenzo estaria em meus braços, pois ele nasceu saudável, grande e lindo. Uma criança com quase cinco quilos não é aconselhável parto normal", relembrou Cleide.

Já no dia 16 de dezembro do ano passado, Nathana Soares de 23 anos, moradora do Balneário Arroio do Silva perdeu a pequena Laura. Ainda emocionada a jovem que já tem um filho de seis anos relembrou o que passou antes e depois do nascimento de Laura e das idas e vindas ao Hospital Regional de Araranguá. "O prazo para o nascimento da minha filha era para o dia 11 de dezembro, sendo que fiz todo meu pré-natal no Arroio. Entre os dias 11 e 16 do mês passado procurei pelo Hospital Regional por cerca de cinco vezes devido ao vazamento de líquido e das fortes dores que sentia, sendo que todas as vezes a médica em questão me mandou embora, com a argumentação de que eu não tinha dilatação suficiente para o parto", relatou com lágrimas no olhos, lembrando que ontem, dia 16 fez um mês da morte da filha.

Conforme Nathana, ela e os parentes explicaram para a médica que na sua primeira gravidez houve complicação e ela foi submetida a uma cesariana de emergência. "De nada adiantou falar com ela e explicar sobre minha primeira gestação. Como eu estava com muita dor, resolveram me internar e mandaram todos meus parentes irem embora. Nem me colocaram soro para a dilatação, não me mandaram caminhar e nem sentar na bola usada para ajudar no parto. Depois de algumas horas perceberam que os batimentos cardíacos da criança estavam fracos e decidiram por uma cesariana de urgência que aconteceu na madrugada. Cinco horas depois recebi a notícia de que a minha filha morreu por ter ingerido líquido do parto junto com as fezes do bebê", chorando finalizou a jovem afirmando que houve erro médico e negligência.

Nathana ainda guardou algumas roupinhas e brinquedos que estavam esperando pela pequena Laura. A bolsa da maternidade ainda não foi desfeita e Nathana confidenciou que não teve coragem de velar e nem de enterrar a filha que era tão aguardada.

 

Médica é indiciada por homicídio culposo

 

As duas famílias que acusam a médica que realizou os partos normais no Hospital Regional de Araranguá procuraram a Delegacia da Mulher de Araranguá onde registraram os boletins de ocorrência de Erro Médico.

De acordo com o delegado Jair Pereira Duarte com relação a morte do recém nascido Lozenzo Isaque Stalter Silvério, o Inquérito Policial foi instaurado na DPCAMI (Delegacia de Polícia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) de Araranguá no dia 10 de Maio de 2012, sendo que a documentação já foi remetida ao Fórum de Araranguá onde a médica foi indiciada por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar). "Diversas diligências foram feitas, oitivas de testemunhas e baseado no laudo pericial, houve o indiciamento da profissional que realizou o parto normal de Cleide Stalter em fevereiro de 2012", explicou o delegado.

O laudo pericial apontou que houve falha no atendimento e agora, conforme o delegado, cabe ao juiz a decisão. Para os pais do pequeno Lorenzo Isaque, Cleide Stalter e Alírio Silvério não há dúvidas que o erro médico aconteceu.

Na delegacia especializada há um outro boletim de ocorrência registrado em dezembro de 2012 onde Nathana Soares acusa a mesma médica de erro médico. Um Inquérito Policial já foi instaurado e pessoas serão ouvidas, a perícia já foi requisitada e os trabalhos de investigação seguem em ritmo acelerado.

As duas famílias querem justiça e já acionaram advogados. "Agora, o que nós vamos fazer por nossos bebês é justiça, para que não aconteça também com outras famílias”. Esse é conforto para o desconsolo dos pais Alírio, Claide e Nathana.

Pesquisamos sobre a Síndrome de Aspiração Meconial e trouxemos algumas explicações:

 

O que é Mecônio

Mecônio (do grego mekónion - suco de dormideira), também chamado de ferrado, constitui-se nas primeiras fezes eliminadas pelo recém-nascido, exemplo: Hymenoptera(abelha, vespa).

O mecônio é uma substância escura, de tom esverdeado, viscosa. Sua eliminação é creditada ao estímulo provocado pela ingestão do colostro, em razão do seu elevado índice de colesterol, ao qual se atribui propriedades laxantes.

O mecônio interessa à Neonatologia pois pode ser responsável por um dos males que afetam o bebê, a chamada Síndrome da Aspiração de Mecônio.

O mecônio é também um dos componentes encontrados no líquido amniótico que, com o desenvolvimento da gravidez, torna-se cada vez mais turvo e espesso em razão do aumento das excreções fetais.

Mecônio é um material fecal de cor esverdeada bem escura, produzida pelo feto e normalmente é expelida nas primeiras 12 horas após o nascimento.

Às vezes, o mecônio é expelido antes do parto, colorindo o líquido amniótico que normalmente é de cor clara. Esse fenômeno é anormal e pode indicar sofrimento fetal.

Há um risco de que o bebê inale este líquido chamado líquido meconial, o que pode causar crise respiratória por obstrução e inflamação de suas vias aéreas. Esse risco é evitado desobstruindo-se por aspiração as vias aéreas do recém-nascido imediatamente após o nascimento.

Em alguns casos, é necessário recorrer, durante o parto, uma técnica chamada amnioinfusão, que consiste em diluir o líquido amniótico diretamente na cavidade uterina com um soro adequado.

 

Síndrome de Aspiração Meconial

 

A síndrome de aspiração meconial, causa importante de morbi-letalidade no período neonatal, pode se apresentar em graus variados de insuficiência respiratória, desde leve até um quadro grave que leva à morte.

 

Fisiopatologia

 

O mecônio aparece no íleo fetal entre a 10ª e 16ª semanas de gestação, como um líquido viscoso e esverdeado, formado por secreções gastrintestinais, restos celulares, sucos gástrico e pancreático, muco, sangue, lanugo e vérnix.

A sua relação com sofrimento fetal é controvertida: para alguns autores, o mecônio seria eliminado no líquido amniótico devido ao aumento da peristalse intestinal e relaxamento do esfíncter retal, em conseqüência de hipoxemia e sofrimento fetal; para outros, durante o trabalho de parto a compressão abdominal e o reflexo vagal, devido à compressão do pólo cefálico, resultariam em eliminação de mecônio sem, obrigatoriamente, representar sofrimento fetal.

 

A presença de mecônio no líquido amniótico resulta em lesão pulmonar através de 3 mecanismos:

 

1) Obstrução – com os primeiros movimentos respiratórios o mecônio migra das vias centrais para as vias aéreas periféricas causando obstrução e, em conseqüência, múltiplas áreas de atelectasia. A seguir, ocorre pneumonite química e, possivelmente, infecção bacteriana secundária. Este processo pode levar a graus variados de edema intersticial, vasoconstricção arterial, redução da complacência pulmonar, hipertensão pulmonar persistente e insuficiência respiratória grave.

Quando a obstrução das pequenas vias aéreas é parcial, cria-se um mecanismo valvular em que o ar entra, mas não sai dos alvéolos, causando hiperinsuflação pulmonar e aumentando o risco de pneumotórax;

 

2) Inibição do surfactante – esta se dá por 2 mecanismos:

Efeito direto do mecônio, através da ação dos ácidos graxos em sua composição;

Ação de proteínas extravasadas nos alvéolos em conseqüência da hiperinsuflação pulmonar, causada pela obstrução das vias aéreas, associada à lesão alveolar pela ventilação mecânica.

3) Pneumonite química – componentes do mecônio (enzimas, sais biliares e gordura) irritam as vias aéreas e o parênquima pulmonar causando pneumonia difusa.

Estes efeitos causados pelo mecônio produzem desequilíbrio na relação ventilação/perfusão. Além disso, muitos RN com síndrome de aspiração meconial têm hipertensão pulmonar primária ou secundária resultante de hipoxemia intra-útero e espessamento de vasos pulmonares. E, finalmente, o mecônio é estéril, mas predispões a infecções.

 

Epidemiologia

 

O mecônio raramente está presente no líquido amniótico antes das 34 semanas, por isso a aspiração meconial é mais comum em RN com maior idade gestacional e em pequenos para a idade.

Os antecedentes maternos relacionados com líquido meconial são: hipertensão arterial, doença cardiovascular ou pulmonar crônica, hipotensão aguda, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia, partos difíceis, presença de circular, prolapso e nó de cordão, infecção materna (corioamionite), mãe usuária de drogas (especialmente cocaína e tabaco) e apresentação pélvica.

Fonte e Fotos - Jornalista Karin Mariana

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